Presidente da Cotribá renuncia ao cargo; cooperativa acumula dívidas superiores a R$ 1,4 bilhão

Presidente da Cotribá renuncia ao cargo; cooperativa acumula dívidas superiores a R$ 1,4 bilhão

Carlos Valdemar Wilke Diehl renunciou à presidência do Conselho de Administração da Cotribá, cooperativa agropecuária sediada em Ibirubá (RS) que atravessa uma grave crise financeira e acumula passivo superior a R$ 1,4 bilhão.

Diehl formalizou a saída no dia 24 de setembro, pouco mais de seis meses depois de assumir o comando.

O mandato da atual gestão estava previsto para terminar apenas em dezembro de 2028.

Em carta, o ex-presidente afirmou que sua administração buscou alternativas para garantir a continuidade da cooperativa, incluindo negociações com parceiros e potenciais investidores para obtenção de capital, conhecimento técnico e melhorias na gestão.

Segundo Diehl, porém, divergências dentro do Conselho de Administração sobre os caminhos necessários para recuperar a Cotribá impediram a continuidade do trabalho.

Ele afirmou que o momento exige unidade e alinhamento entre os dirigentes e que sua visão para o futuro da instituição não encontrou consenso no colegiado.

A saída ocorre em meio à maior crise financeira da história da cooperativa.

Documentos apresentados à Justiça apontam passivo de aproximadamente R$1,42 bilhão e mais de 20 mil credores, incluindo produtores rurais, bancos, fornecedores e empresas do agronegócio.

A Cotribá tentou recorrer à recuperação judicial, mas a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu, por unanimidade, que cooperativas não possuem legitimidade para utilizar esse mecanismo previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências.

A instituição também vem reduzindo sua estrutura.

O quadro de funcionários, que chegou a aproximadamente 1.200 trabalhadores, caiu para cerca de 670 durante o processo de reestruturação.

Em agosto, Paulo Goulart também deixou o cargo de CEO após cerca de cinco meses na função.

Fundada em 1911, a Cotribá é considerada a cooperativa agropecuária mais antiga do Brasil em atividade.

Diehl, associado desde 1986, afirmou que continuará acompanhando e defendendo a recuperação da instituição mesmo após deixar a presidência.