Bioinsumos: a agricultura do futuro
Engº Agrº Gilmar Francisco Vione - EMATER-RS/ASCAR Regional Santa Rosa
Nos últimos anos, a agricultura mundial tem sofrido diversos problemas relacionados ao modelo agroquímico de produção, com aumento dos custos de produção, resistência de organismos (fungos, bactérias, insetos, ácaros, plantas espontâneas) às moléculas químicas, e contaminação ambiental causada pelo uso excessivo destes produtos, entre outros aspectos. Mais recentemente, o conflito no Oriente Médio contribuiu ainda mais para elevação dos custos do petróleo e derivados, e afetando também a cadeia de suprimento de fertilizantes, causando escassez e elevação dos preços destes insumos.
A busca por alternativas a estes problemas tem levado cada vez mais os agricultores a buscarem nos bioinsumos a possibilidade de substituírem no todo ou em parte os insumos convencionais. A utilização de bioinsumos, no entanto, faz parte da agricultura brasileira há várias décadas, lembrando do uso de Baculovirus anticarsia no controle biológico da lagarta da soja a partir dos anos 1980, e o uso de bactérias fixadoras de Nitrogênio atmosférico, principalmente para a soja, desde as décadas de 1960 e 1970.
Nos últimos anos, a pesquisa pública e privada proporcionou a oferta de uma gama considerável de bioinsumos, tanto para controle de pragas e doenças de plantas e animais, como também para a melhoria da nutrição e sanidade de plantas, com uso de bactérias promotoras de solubilização de nutrientes do solo (fósforo, potássio) e melhorias no desenvolvimento de plantas (enraizamento, promoção de crescimento, tolerância a estresses ambientais). Como exemplos, o uso de bioinsumos para solubilização de fósforo é capaz de suprir em até 30% a necessidade das plantas, reduzindo o uso de fertilizantes fosfatados. No caso de fixação biológica de Nitrogênio, os bioinsumos conseguem suprir 100% da demanda da soja, e cerca de 30% da necessidade de milho e trigo.
Além da possibilidade de aquisição de bioinsumos no comércio, em 2025 foi aprovada uma lei que permite aos agricultores a multiplicação caseira de bioinsumos para uso próprio, como forma de proporcionar redução de custos e garantir mais independência frente às grandes empresas. Esta produção caseira vai exigir a capacitação tanto de agricultores como técnicos para possibilitarem a produção de bioinsumos de qualidade, livres de contaminantes e que proporcionem os resultados esperados. Ainda, cabe destacar que o RS é um dos estados que menos utiliza bioinsumos no Brasil, segundo instituições de pesquisa, chegando a apenas 5% das propriedades, enquanto existem estados que já chegam a 60% das propriedades com uso desta tecnologia.
Embora todos os benefícios pelo uso de bioinsumos, cabe ressaltar que não se trata de tecnologia milagrosa que irá resolver todos os problemas. É fundamental para o sucesso da tecnologia, que sejam utilizadas as boas práticas de produção, como uso de variedades de plantas adaptadas às condições locais, uso de práticas de conservação e melhoramento do solo (como plantas de serviço), e monitoramento da ocorrência de pragas e doenças, entre outras, para que a tecnologia proporcione os resultados desejados, que são a produção de alimentos de qualidade, com sustentabilidade econômica, ambiental e social.














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