Morte de abelhas volta a preocupar

​​​​​​​De janeiro a julho são 40 milhões de abelhas mortas no Rio Grande do Sul

Morte de abelhas volta a preocupar

No ano passado somente nos três primeiros meses do ano foram meio milhão de abelhas mortas. A notícia reacendeu a discussão sobre o cuidado com os insetos. A importância das abelhas vai muito além da produção de mel, tendo o papel fundamental de polinização. Elas são responsáveis pela polinização de 75% de todas as plantas com flores disponíveis no planeta.

O fato voltou a preocupar apicultores do Rio Grande do Sul. O Estado é o maior produtor de mel do Brasil, com cerca de 11 mil toneladas produzidas por ano em 490 mil colmeias. Nas últimas semanas produtores observam a constante morte precoce dos insetos. De janeiro a julho são 40 milhões de abelhas mortas no Rio Grande do Sul.

Os casos têm acontecido na Fronteira Oeste e a suspeita é envenenamento. Um laudo está apurando as causas. Os inseticidas utilizados nas lavouras são os principais suspeitos, porque podem ser arrastados pelo vento e contaminar os insetos. Na polinização diária as abelhas também podem pousar em flores contaminadas e levar resíduos que impactam toda a colmeia. “Em torno de 80% da causa de morte são os inseticidas usados de forma incorreta junto com herbicidas. É difícil provar a origem da lavoura que contaminou e os apicultores acabam perdendo sua fonte de renda”, aponta Aldo Machado, coordenador da Câmara de Apicultura.

Cada colmeia tem valor estimado de R$ 800. Segundo a Secretaria de Agricultura do estado, pelo menos 400 caixas, cada uma contendo até 100 mil abelhas, já foram perdidas este ano. Além disso uma abelha contaminada diminui sua capacidade produtiva causando uma perda de cerca de 30% por quilo de mel.

Na agricultura as abelhas ajudam na reprodução das plantas. Segundo a Embrapa seis a cada dez plantas dependem das abelhas. Entre elas produtos agrícolas de peso na balança comercial brasileira, como soja, café, feijão e laranja. Outras culturas com menor representatividade financeira, como maçã, melão, melancia e cacau, também necessitam essencialmente de polinização.