Emater/RS-Ascar realiza diagnóstico e apresenta perspectivas da atividade leiteira em Alegria

Emater/RS-Ascar realiza diagnóstico e apresenta perspectivas da atividade leiteira em Alegria

Diante da importância da atividade leiteira para o município de Alegria e para a região de Santa Rosa, o Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar realizou o levantamento sobre a conjuntura atual da cadeia do leite. Com isso, a intenção é qualificar o planejamento da atuação da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social nesta área, assim como da execução de políticas públicas em parceria com o poder público e outras entidades locais.

Para a atualização dos dados do diagnóstico, contemplando todos os produtores de leite do município, o Escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Alegria buscou a parceria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Secretaria Municipal da Agricultura, que acompanharam as visitas a 98 produtores de leite. Foi aplicado um questionário de 42 perguntas objetivas, quantitativas e qualitativas, para compilar informações sobre a estrutura, características sociais, econômicas e ambientais da atividade leiteira.

O extensionista da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Arlindo José de Moura Almeida, observa que a bovinocultura de leite tem se caracterizado nos últimos seis anos pela intensificação da atividade, de forma que para permanecer produzindo e garantindo o acesso ao mercado, diversas melhorias e adequações são condicionadas aos produtores pelos demais elos do setor. “O não atendimento das condições relacionadas ao volume de produção, qualidade do leite, instalações e equipamentos, boas práticas de produção, exclui produtores e aumenta a concentração da produção nos estabelecimentos que alcançam os padrões exigidos”, explica.

Principais resultados obtidos

No diagnóstico realizado no período de 28/09 a 03/11, em Alegria, foram obtidas informações sobre a estrutura de produção, produtividade, importância econômica e social e perspectivas de futuro.

Estrutura de Produção - Na análise comparativa entre os dados do diagnóstico realizado em 2016 com o de 2022, a intenção foi levantar os fatores que influenciaram no aumento da produção de leite de 32.700 para 39.400 litros por dia, na contramão da redução do número de produtores de 191 para 98. O rebanho reduziu de 2.724 para 2.159 vacas e a produção aumentou de 12 para 14 milhões de litros de leite por ano, respectivamente.

No diagnóstico foi observada a concentração da produção nos estabelecimentos onde ocorreu a modernização das estruturas e mudança nos sistemas de manejo do rebanho. A forma de alimentação do rebanho foi modificada visando reduzir a movimentação do rebanho e aumentar o movimento das máquinas para o fornecimento do volumoso, concentrado e mineral no galpão, o que justifica o incremento de 325 hectares na área de silagem, feno e pré-secado (bola). Atualmente 91% dos produtores fornecem alimentos conservados para o rebanho. De outro lado, somente 36% dos produtores possui sala de ordenha com fosso, com condições ergonômicas para que o ordenhador trabalhe em pé, e 66% dispõem de ordenha mecânica na estrebaria com necessidade de agachamento para a ordenha.

Indicadores de Produtividade - Os dados zootécnicos indicaram que de 2016 a 2022 aumentou de 72,5% para 92,9% o uso da inseminação artificial, de 13,2% para 30,6% de produtores que fazem controle financeiro, 14,3% para 30,6% os produtores que realizam o controle leiteiro e de 37,5% para 63,3% aqueles que usam raquete para teste de mamite. Enquanto isso, reduziu de 75,6% para 49% o número de propriedades em que é realizado controle reprodutivo.

Por outro lado, foi observado um aumento na média da produção de leite de 11,9 para 18,3 litros de leite/vaca/dia pelo total de vacas e de 14,8 para 21,6 litros/vaca/dia pelas vacas em lactação, o que indica um aumento médio superior a um litro de leite por vaca por dia, nos últimos seis anos.

O consumo médio de ração passou de 2,58 para 4,35 kg/vaca/dia e de 3,2 para 5,14 kg/vaca/dia por vacas em lactação, elevando o consumo anual de 2,53 para 3,42 milhões de quilos de concentrado e de 8,13 para 14,2 mil quilos de sal mineral utilizados na atividade leiteira no município.

Importância Social e Econômica - Apesar da diminuição significativa no número de estabelecimentos, a atividade leiteira continua assegurando a geração de emprego e renda no meio rural, de forma capilarizada. Em 2016 eram 427 Unidades de Trabalho (UT) ocupadas nas 191 Unidades de Produção (UP), sendo 409 familiares e 18 contratadas, com média de 2,24 UT/UP. Em 2022, são 298 Unidades de Trabalho ocupadas nas 98 Unidades de Produção Familiar, sendo 273 familiares e 25 contratadas, com média de 3,04 pessoas por UT/UP. O valor da renda bruta mensal por trabalhador subiu de R$2.259,90, em 2016, para R$11.200,87, em 2022, e a renda líquida passou de 1,02 para 3,09 salários por UT/mês.

Perspectivas de Futuro - Dos produtores que participaram do diagnóstico em 2016, 29% manifestaram que pretendiam deixar a atividade nos próximos seis anos. Decorrido esse tempo, efetivamente 48,7% estabelecimentos deixaram a atividade, superando significativamente a previsão manifestada. “Se o desejo manifestado pelos produtores entrevistados em 2022 se efetivar, 54% dos atuais 98 produtores não estarão mais na atividade até 2032, devendo restar apenas 45 produtores no município”, alerta Almeida.

Nesse contexto, de contínua diminuição no número de produtores, o engenheiro agrônomo destaca que a Aters faz o esforço para entender e compreender a atual conjuntura, agir proativamente diante dos reflexos econômicos e sociais nas famílias mais vulneráveis, assim como na assessoria para o acesso às políticas públicas visando adequar ergonomicamente as estruturas, máquinas e equipamentos, para diminuir a penosidade do trabalho nessa atividade.

Crédito da Foto – Arlindo José Moura de Almeida

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Santa Rosa

Jornalista Deise A. Froelich