De olho na rotação de culturas, produtores de Sete de Setembro investem na produção de canola

No município de Sete de Setembro, os campos ficaram mais floridos com a oleaginosa neste ano

De olho na rotação de culturas, produtores de Sete de Setembro investem na produção de canola
De olho na rotação de culturas, produtores de Sete de Setembro investem na produção de canola

A canola passa a assumir um papel importante enquanto cultura de inverno no Noroeste gaúcho, onde ocupa aproximadamente 16.400 hectares, segundo dados da Emater/RS-Ascar. No município de Sete de Setembro, os campos ficaram mais floridos com a oleaginosa neste ano, estando presente em aproximadamente 500 hectares, cultivada por 18 produtores.

O extensionista do escritório municipal da Emater/RS-Ascar Irineu Kapelinski observa que em anos anteriores eram cultivados em média 100 hectares com o grão. “No início os produtores não tinham total domínio do manejo da cultura, o que acarretava perdas muito significativas durante a colheita, esta técnica foi se aprimorando com o surgimento de tecnologias que minimizaram as perdas e também a introdução de novas cultivares que contribuíram para diminuir os riscos”, afirma ao explicar o contexto que levou ao aumento significativo da área no município.

Seu papel na rotação de culturas também é reconhecido, por contribuir com a redução de problemas fitossanitários nas leguminosas sucessoras.

“A canola é muito interessante para um sistema de rotação de culturas de inverno, que comumente são cultivadas gramíneas, como trigo, aveia e azevém, com o intuito de melhorar a estrutura física do solo, assim como auxiliar na redução de pragas, doenças e invasoras nas culturas que são cultivadas na sucessão, como o milho e a soja”, explica Kapelinski.

O produtor Venilso Krulikowski passou a incorporar a canola em sua lavoura desde o ano passado, em substituição ao trigo. “Primeiro, em função do benefício da rotação de culturas, levando em conta também o menor custo de produção, sendo necessárias menos aplicações de fungicidas e o manejo de plantas invasoras é mais fácil”, destaca. O que preocupa, como no caso das demais culturas de inverno, é contar com condições climáticas favoráveis a exemplo da não ocorrência de geadas.

Com os resultados positivos do ano anterior, Krulikowski ampliou a área de 10 para 70 hectares, em 2020, e pretende seguir investindo na oleaginosa no ano que vem. “Na área que tinha canola, a soja produziu melhor, o trigo veio com mais vigor e diminuiu o custo com controle de doenças”, justifica. Após a colheita deste ano, o produtor pretende implantar soja e milho nas áreas atualmente ocupadas pela canola.

O técnico da Emater/RS-Ascar comenta também sobre o papel da canola em relação à apicultura, sendo que é visível um maior número de enxames em relação a anos anteriores. Segundo Kapelinski, com o período prolongado de florada, a canola atrai muitas abelhas. “A relação é recíproca, sendo que a presença de abelhas pode aumentar em até 30% da produtividade da canola”, observa ao lembrar que existe um trabalho continuado de conscientização para o menor uso de produtos tóxicos a abelhas, o que tem diminuído também drasticamente a mortandade em enxames.