Cooperativismo gaúcho bate recordes e chega a R$ 52,1 bilhões em faturamento

​​​​​​​Apesar da estiagem no ano passado e da pandemia, valorização das commodities, como a soja, puxou os resultados

Cooperativismo gaúcho bate recordes e chega a R$ 52,1 bilhões em faturamento

Para a economia brasileira, o ano de 2020 foi marcado pelos efeitos nefastos que a pandemia de Covid-19 gerou. A necessidade de isolamento social, as restrições às atividades econômicas, o fechamento de empresas, queda do nível de emprego e renda da população, entre outros fatores, levaram o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro a sofrer um tombo de 4,1% no ano passado. Além disso, no Rio Grande do Sul, a estiagem do verão 2019/2020 gerou uma frustração na safra de grãos, com graves efeitos na economia do Estado.

No entanto, enquanto diversos segmentos econômicos registraram perdas, o sistema cooperativo não só conseguiu superar as dificuldades do ano passado como prosperou no período. Em 2020, as 445 cooperativas gaúchas registraram um faturamento recorde de R$ 52,1 bilhões, o que representa aumento de 6,4% em relação ao período anterior. Os números foram divulgados pela Ocergs - Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs).

Segundo o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop, Vergilio Perius, o resultado excelente em um ano de dificuldades econômicas é um atestado da resiliência do modelo cooperativo, que consegue crescer mesmo com crises. Nos últimos cinco anos, enquanto o Brasil ainda vem tentando sair (em marcha lenta) da recessão de 2025/2016, as cooperativas gaúchas acumularam um crescimento de 44,25%. Essa tendência de incremento dos resultados deve se manter em 2021. "Esperamos crescer mais 6%. Projetamos fechar o ano com um faturamento de até R$ 55 bilhões", projeta Perius.

O retorno aos associados também apresentou bons resultados. No ano passado, o crescimento registrado nas sobras apuradas foi de 22,5%, atingindo o valor de R$ 2,9 bilhões, o que representa uma expansão de 121,98% nos últimos cinco anos. "Essas sobras, tirando valores que vão para fundos sociais, retornam para os sócios. É praticamente um '13º salário invisível', que contribui para as economias das comunidades onde pertencem", lembra Perius. Em 2020, o número de associados às cooperativas também aumentou, passando de 2,97 milhões para 3,06 milhões.

Além disso, o patrimônio líquido cresceu 17,9% e alcançou R$ 21,2 bilhões, o que, segundo a Ocergs, reflete as boas práticas de gestão nas cooperativas. "Isso mostra que as cooperativas são sólidas para emprestar dinheiro e fazer investimentos", destaca o presidente da entidade. Perius lembra ainda que os ativos do cooperativismo gaúcho tiveram acréscimo de 28,5%, alcançando a marca de R$ 98,2 bilhões.

A Ocergs destaca também a importância do setor para as contas públicas gaúchas. Em 2020, as cooperativas do Rio Grande do Sul geraram R$ 2,1 bilhões de tributos. Desse montante, R$ 1,1 bilhão foram em tributos estaduais, R$ 1 bilhão em federais e R$ 80 milhões em municipais.

Um dos principais responsáveis pelo aumento de postos de trabalho no setor cooperativo em 2020 foi o segmento de saúde, uma área de grande relevância para o setor no Estado. Segundo a Ocergs, cerca de 1,8 milhão de beneficiários de planos de saúde no Rio Grande do Sul são provenientes de cooperativas, o que representa 46% das operadoras do Estado.

O presidente da Ocergs, Vergilio Perius, lembra que, para fazer frente às demandas do combate à pandemia de Covid-19 e ao tratamento dos infectados, as cooperativas de médicos, profissionais de saúde e seus hospitais tiveram que fazer grandes investimentos em contratação de pessoal, além de infraestrutura, equipamentos e materiais, entre outros.

Um exemplo é a Unimed Vale do Sinos. Em 2020, a cooperativa teve que aumentar os leitos de UTI em seu hospital de Novo Hamburgo, além de adquirir novos respiradores. "Transformamos salas de recuperação, salas de endoscopia, blocos cirúrgicos em leitos Covid", lembra o presidente da Unimed Vale do Sinos, Luis Carlos Melo. Para atender a essa maior demanda, também foi preciso aumentar o quadro de colaboradores especializados, inclusive, com três equipes de médicos internistas 24h por dia.

Atualmente, a Unimed Vale dos Sinos conta com 515 médicos cooperados e 1,8 mil colaboradores, que oferecem uma gama de 129 serviços para a comunidade. Segundo Melo, a pandemia também gerou uma maior procura pelos planos de saúde oferecidos pela cooperativa médica nos últimos meses. "Atualmente, contamos com 98,8 mil clientes distribuídos em 11 municípios de atuação", destaca.

Além disso, em plena pandemia, a Unimed Vale do Sinos, entregou um dos maiores investimentos do sistema cooperativo gaúcho dos últimos anos. Em 31 de maio, começou a operar o novo hospital da rede em Novo Hamburgo. O aporte total no empreendimento foi de R$ 250 milhões, incluindo a reforma do hospital atual e a construção de um edifício garagem.

Com o novo hospital, a cooperativa deve gerar 500 novas vagas de empregos. O investimento faz com que a Unimed Vale do Sinos disponibilize sete novas salas cirúrgicas e 204 leitos. "Com esta estrutura, oferecemos um serviço de extrema qualidade para os nossos clientes e acredito que este ponto seja o fator de diferenciação para o crescimento dos resultados", afirma Melo.