Contaminação no Campo e Saúde Humana é tema de Seminário Água e Saúde

Realizado das 10h às 12h, o Seminário iniciou na terça-feira (14/09), abordando Contaminação Química no Campo e a Saúde Humana

Contaminação no Campo e Saúde Humana é tema de Seminário Água e Saúde

Com o tema Químicos na Água e Desafios Técnicos, acontece até esta quinta-feira (16/09) o 5º Seminário Água e Saúde, realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) Seção Rio Grande do Sul, Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs-RS) e Emater/RS-Ascar, com apoio institucional da Corsan. Dirigido a gestores e acadêmicos das áreas de saúde, saneamento e ambiente e extensionistas rurais, o evento objetiva promover o diálogo técnico sobre os desafios da garantia da segurança da água para consumo humano, com foco na presença de químicos nos mananciais.

Realizado das 10h às 12h, o Seminário iniciou na terça-feira (14/09), abordando Contaminação Química no Campo e a Saúde Humana (https://bit.ly/3nt2gSV ) e nesta quarta-feira (15/09) tratou sobre Contaminantes Químicos no Campo e na Saúde Ambiental (https://bit.ly/3kbpRp5 ).

Mediada pelo extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Gabriel Katz, coordenador Estadual das áreas de Saneamento Básico e Geoprocessamento da Emater/RS-Ascar, a atividade desta quarta-feira teve palestra da professora e pesquisadora do Instituto de Química da Unicamp, Cassiana Montagner. Os três debatedores convidados são a professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, Renata de Oliveira Pereira, o analista ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Márcio D’ávila Vargas, e o também extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Gervásio Paulus.

TOXIDADE E IMPACTOS

Com larga experiência em contaminantes emergentes e novos contaminantes, “em que os agrotóxicos fazem parte, já que a produção de alimentos no mundo é dependente do uso de agrotóxicos”, Cassiana se propõe a provocar a reflexão sobre “onde vão parar, como encarar essa questão de forma mais consciente”, questiona. Ela cita que o Brasil tem 495 agrotóxicos liberados, enquanto que a União Européia tem 479, “ou seja, no Brasil se libera muitos agrotóxicos para uso, mas se monitora muito pouco deles no ambiente”, avalia, ao ressaltar os compostos diferentes de cada produto, bem como seus destinos ambientais, que dependem das características e das regiões onde são aplicados, localmente ou por pulverização.

Durante a palestra, Cassiana apresentou os trabalhos de estudo e pesquisa de seus alunos na Unicamp, na avaliação da contaminação da água, com destaque para o que a legislação permite em relação às concentrações, “preocupantes do ponto de vista ambiental, porque estão associadas a efeitos importantes no ambiente”, observa.

“A exposição ocupacional não é a única fonte”, disse, ao destacar as inúmeras fontes contaminantes, como no consumo de água e de alimentos contaminados, e a dificuldade de monitorar os impactos dos agrotóxicos na saúde humana. Ela defende o biomonitoramento, para entender a concentração no sangue e na urina, “estudo invasivo e difícil de ser realizado em larga escala, e também difícil de correlacionar causas e efeitos diante de um estilo de vida tão complexo como temos no dia a dia”.

Cassiana ressaltou a falta de estudos sobre os efeitos e impactos dos agrotóxicos no Brasil, em especial em águas superficiais. “Sabemos muito pouco sobre os agrotóxicos nas aguas superficiais e isso é muito preocupante, pela nossa exposição, que não é avaliada”, disse, ao defender a manutenção de um programa de monitoramento “que realmente traga dados representativos do Brasil, ressaltando a proteção da vida aquática, tornando-os acessíveis”.

Segundo o extensionista Gervásio Paulus, “a agricultura no Brasil, cujo modelo é baseado nos monocultivos, também tem seu papel nas mudanças climáticas e na ocorrência de fenômenos cada vez mais frequentes e extremos”. Ele defende a necessidade promover formas e estilos de produção mais biodiversos, que garanta  produção de alimentos com a preservação dos recursos naturais, água, solo e florestas. “Para isso, é preciso investir em um processo de transição e que se avance etapas, para a otimização e a racionalização do uso de insumos, seguida da substituição de práticas e métodos, que envolvem a homeopatia, insumos de base vegetal e ecológica menos agressivos e mais rapidamente degradáveis, e o redesenho desses agroecossistemas com novas relações, como permacultura, agroflorestas e propostas mais integradoras”, defendeu Paulus, que citou a existência de algumas iniciativas interessantes, “mas é grande a necessidade de avançar no monitoramento e no acompanhamento dos resíduos em alimentos e nas microbacias e cursos d´água e no próprio ambiente”, ressaltou.

Para conferir a palestra e o debate acesse https://bit.ly/3kbpRp5 .

 

Para esta quinta-feira (16/09), terceiro dia de Seminário, o tema será Contaminação Química e Água no Meio Urbano, com palestra de Renato Zanella, professor e doutor da Universidade Federal de Santa Maria. O debate será mediado pela presidente da Abes/RS, Ana Elizabeth Carara, e terá como debatedores Tânia Mara Pizzolato, professora do Instituto de Química da Ufrgs, Jackson Ritter, coordenador técnico do Departamento de Esgotos da Corsan, e Luciano Zini, doutor em Engenharia Química, especialista em Saúde e engenheiro químico da Secretaria Estadual de Saúde do RS.

Já no primeiro dia, o tema Contaminação Química no Campo e a Saúde Humana foi mediado pelo engenheiro químico da Secretaria da Saúde, Luciano Zini e a palestra ministrada pela professora do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, Adelaide Cassia Nardocci. O evento contou com a participação dos debatedores Silvia Medeiro Thaler, bióloga do Centro Estadual de Vigilância em Saúde/Secretaria Estadual de Saúde, Ana Maria Daitx Valls Atz, farmacêutica bioquímica aposentada, e Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo, pesquisador membro do Movimento Ciência Cidadã e coordenador adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e pode ser revisto pelo https://bit.ly/3nt2gSV.