Após quase quatro décadas de trabalho na Emater/RS-Ascar, Vilanova relembra momentos marcantes da extensão rural

Atualmente o técnico em agropecuária atuava no município de Senador Salgado Filho, mas também deixou marcas no meio rural de Santo Cristo e de Giruá

Após quase quatro décadas de trabalho na Emater/RS-Ascar, Vilanova relembra momentos marcantes da extensão rural

Foram 39 anos e dois de meses de contribuição à história da extensão rural na região de Santa Rosa até Carlos Ernani Vilanova se despedir da Emater/RS-Ascar em julho deste ano. Atualmente o técnico em agropecuária atuava no município de Senador Salgado Filho, mas também deixou marcas no meio rural de Santo Cristo e de Giruá.

Vilanova ingressou na Emater/RS-Ascar em 18 de maio de 1981, logo após ter se desligado de seu emprego, por acreditar que se identificava com o trabalho de extensão rural. “Como todo jovem meus planos como técnico eram de ajudar as famílias rurais e de me estabelecer em um emprego me tornando financeiramente independente”, relembra. Mais do que isso, o técnico deixou importantes marcas na história de famílias por onde passou.

Relembra que a criação de políticas públicas específicas foi um importante marco para os avanços na agricultura, citando-se como exemplo, os programas governamentais de crédito e garantia de preços. “O crédito agrícola é um instrumento que facilita o produtor a tomar decisões de se manter na propriedade. Quando iniciei na extensão rural, produtores tinham medo de investir, pois não sabiam o que iriam pagar após os vencimentos deles e, após a criação de políticas agrícolas mais transparentes, os agricultores começaram a investir mais na propriedade rural em máquinas, equipamentos, construções e animais”, afirma Vilanova ao relembrar as grandes transformações pelas quais passaram a agricultura e, consequentemente, a forma de fazer extensão rural.

Hoje, percebe que com a execução de políticas públicas muitos jovens estão retornando à propriedade, assim como “outros já tomam a decisão de ficar, pois estão acreditando que podem ter uma vida digna no meio rural, uma vez que a agricultura está mais tecnificada, existem programas de habitação rural, acesso a diferentes meios de informação e de comunicação em praticamente todas as propriedades”, afirma.

O trabalho em solo santo-cristense

Os primeiro tempos de trabalho foram marcados por orientações aos produtores de milho, importante grão que ainda tinha muito a avançar em produtividade, e trabalhos voltados a suinocultura. “Iniciamos nos anos 80 com a integração de produtores com o então frigorífico Prenda, ocupando instalações já existentes dos agricultores com lotes que variavam de 50 a 100 cabeças de leitão e ao final dos anos 80 passaram a ser implantados os condomínios rurais para criação de suínos. Acompanhávamos as granjas e os terminadores”, relata ao destacar as principais memórias de quem atuou como extensionista por 21 anos em Santo Cristo.

O trabalho de Vilanova e dos demais integrantes da equipe municipal da Emater/RS-Ascar também contribuiu na década de 80 com a criação da feira do produtor, realização da primeira exposição agropecuária em 1985, organização de grupos de jovens através dos Clubes 4S, promoção do lazer e integração comunitária através dos Jogos Rurais Sol a Sol, que seguiram nos anos posteriores.

Nos anos 90, avançou o trabalho de incentivo às práticas conservacionistas do solo com a implementação de microbacias e sistema de plantio direto, assim como o incentivo ao artesanato e à formação de agroindústrias, sendo que já na 1ª Expointer havia representação de Santo Cristo, em busca de profissionalização e novas ideias.

Também nessa época, Vilanova lembra do incentivo à criação de peixes, sendo implantado um pequeno abatedor até hoje existente.

No período em que atuou em Santo Cristo, Vilanova também se tornou uma importante liderança, sendo presidente do Conselho Municipal Agropecuário, presidente do Conselho Municipal de Indústria e Comércio, presidente da Associação de Proteção ao Ambiente Natural e presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário (FUNDEC).

Trajetória em Giruá

De 2002 a 2008, Vilanova atuou como extensionista da Emater/RS-Ascar em Giruá. Neste período, destacaram-se trabalhos em áreas como piscicultura, crédito, suinocultura e agroindustrialização. No programa Crédito Fundiário foi o responsável pelo encaminhamento de mais de 150 projetos do Programa Crédito Fundiário, assim como auxiliou na realização de perícias de Proagro em diversos municípios da região, uma vez que neste período ocorreram várias frustrações de safra em função de geadas e secas.

Entre os destaques lembra que neste período ocorreu a criação de uma cooperativa de piscicultura e instalação do abatedor de peixes e frangos, assim como incentivou-se, com o apoio da prefeitura, a criação de suínos através da integração com o frigorífico Prenda. “Atuamos na orientação de produtores para produção de leite, colaboramos com o início da feira do produtor e orientamos a legalização de agroindústrias”, relembra.

Marcas em Senador Salgado Filho

Foram 12 anos de muito trabalho e dedicação em Senador Salgado Filho, onde chegou em 2008, e foi acolhido com carinho e respeito.

Entre as lembranças marcantes que Vilanova carrega está a organização dos piscicultores, que profissionalizaram e diversificaram a produção, culminando na elaboração de um projeto técnico de abatedouro de peixes, que está sendo construído, e deve entrar em funcionamento no início de 2021.

Quando chegou ao município, não existiam produtores comerciais de suínos. Foram várias reuniões e excursões para motivação e, hoje, a suinocultura já é uma atividade importante no município, sendo que muitos produtores atuam na engorda dos suínos de forma integrada ao frigorífico Alibem.

A irrigação foi outra área que teve uma importante crescente. Entre 2009 e 2013, o escritório municipal da Emater/RS-Ascar elaborou 47 projetos, encaminhados à Secretaria Estadual de Agricultura e aos agentes financeiros, que oportunizam a reservação e o uso da água para irrigação.

O crédito rural também foi foco do trabalho da Emater/RS-Ascar em Senador Salgado Filho nos últimos anos.  “A Emater foi a única instituição a encaminhar projetos de crédito custeio e investimento para o Banco do Brasil, por exemplo. Todos os anos foram dezenas de projetos encaminhados para todas as instituições financeiras que atuam no município, que são importantes para os produtores viabilizarem suas necessidades e sonhos”, comenta o técnico.

Vilanova também foi um grande entusiasta da Exposafi, sendo que de 2009 a 2015, foi presidente de comissão. Já nos anos de 2017 e 2019 aceitou o desafio de ser o presidente da feira, que é o maior evento social, cultural comercial e agrícola do município.

Com a adesão ao Plano de Desligamento Incentivado (PDI), pretende ficar mais próximo da família e amigos e continuar atuando no meio rural com escritório de planejamento e gestão agrícola. “A Emater foi para mim uma grande família, onde podemos compartilhar conhecimentos e ajudar as famílias do meio rural a se manterem com dignidade. Penso ter deixado minha contribuição neste período que pude atuar. Saio com a consciência do dever cumprido e torcendo para que a Emater continue para o sempre junto às famílias rurais do estado do RS”, avalia.